INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

leila-bijos

Ao abordarmos o processo de construção histórica dos direitos humanos refletimos sobre uma construção axiológica, de processos que se abrem numa luta pela dignidade humana.  Analisando-se os direitos humanos de uma perspectiva geral, verifica-se que eles não podem se dissociar da proteção dos valores básicos, tais como: a vida humana, a dignidade, a liberdade, igualdade e propriedade. Os valores sublinhados são comuns e protegidos pela maioria das culturas e religiões, portanto, não se pode aceitar a intolerância religiosa. Verifica-se, para espanto de todos, uma conflituosa e fragmentada divisão entre amor e ódio, aceitação e rejeição. Divisão que pode parecer avassaladora e insolúvel fruto de muitas forças desumanizadoras no mundo.

Forças essas que priorizam sistemas, tecnologias e dinheiro acima do bem-estar humano resvalando para a demonização quando indivíduos se tornam violentos como forma de lidar com o conflito. É importante ressaltar que “a desumanização está enraizada em um fato lamentável da existência humana: enquanto seres humanos são criaturas interdependentes que precisam uns dos outros para sobreviver, os seres humanos também são seu pior inimigo natural. Estamos nos distanciando do nosso próximo, e formando apenas estreitas ligações com aqueles em quem confiamos. Desconfiamos de estranhos, e essa desconfiança pode se transformar em desumanização.

Vivemos períodos de estresse, ansiedade e medo. A mídia tem utilizado de fatos extremamente negativos para entrar na vida dos cidadãos, principalmente na sala de estar onde a família se reúne para assistir televisão. São espetáculos de horror que ora sinalizam a barbárie, ora nos colocam nas vésperas ou antevésperas de uma guerra civil, produzindo um deslocamento nos conteúdos do imaginário social, pelo qual o mito do “homem cordial” vai cedendo espaço à “lei do mais forte” e aos imperativos do “salve-se quem puder e como puder”.

É um mundo moderno frágil, dotado de incertezas onde são precários os limites e fronteiras entre o conhecido e o desconhecido, entre a ordem e a desordem, entre o racional e o irracional. A violência grassa as praças, as escolas, os campos de futebol, os salões de baile, e a vida familiar de cada cidadão. Existe uma tendência negativa na natureza humana que tem sido explorada não só por aqueles que desejam incitar seus grupos contra supostos inimigos, como também por aqueles que desejam dividir grupos uns contra os outros. A intolerância religiosa é inconcebível na nossa sociedade, onde os ritos se mesclam num colorido multicultural com avenidas abertas para novas amizades.

 

Leila Bijos

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s